Publicado pela revista dos Vegetarianos, Leaders Magazine e portais da Internet no mês de maio

Você nunca se sentiu em vão, buscando algo que sabe que nunca  encontrará, mas ainda assim jamais ousou desistir?

Recentemente, em um almoço com meu amigo Marcão, editor da Revista dos Vegetarianos, comentei que estava irritado e pasmo com o não comprometimento e excelência por parte da maioria das pessoas que estavam trabalhando na construção da nova sede de minha escola em São Paulo e que instigado por isso, iria escrever sobre algum assunto correlato; ele me deu todo o apoio, pois disse que assim, estaríamos alinhados com o adágio que permeia a Editora Europa: a busca da excelência!

“Observe esta flor, é perfeita! Podemos passar a vida inteira atrás de uma dessas e mesmo que nunca a encontremos, nossas vidas não terão sido em vão”. Com esta belíssima explanação, Mestre Katsumoto tenta, nas entrelinhas, ensinar o capitão Nathan Algren, personagem de Tom Cruise no filme o Último Samurai, sobre a incessante busca da perfeição realizada por ele e sua classe de samurais, que muito embora possuíssem a percepção de que a perfeição fosse teoricamente ilusória, mutante e inatingível, sentiam que valia a pena investir o tempo de uma vida para ir atrás de algo que não encontrarão, mas de que ao menos, aproximar-se-ão.

É impossível de expressar com palavras a sensação que se tem quando fazemos de tudo para atingirmos o inatingível, a sensação da busca nos faz dormir o sono dos anjos por tentar acordar todas as nossas possibilidades latentes.

Na outra ponta, como conseqüência da lapidação e aprimoramento que se sucede a uma boa incorporação da cultura yôgi na vida de um praticante, a exímia seleção de praticamente tudo (alimentação, comportamento, vestuário, atitudes etc) que envolve a existência do aprendiz o torna exigente com relação ao que o cerca e o faz buscar a excelência em tudo que realiza e isso, meu querido leitor, pode ser um pesado fardo a ser sustentado, se não compreendermos as invisíveis linhas que sustentam o entendimento do todo. Explico: se tudo o que você faz para si e para os outros, seja no trabalho, relacionamentos e afins, possuir um alto grau de exigência e a tentativa do alcance da perfeição dos samurais, é natural que você espere isso dos outros em reciprocidade também e, é justamente neste ponto que jaz a dificuldade, caso não estejamos atentos. Trocando em miúdos, não devemos esperar reconhecimento ou reciprocidade das outras pessoas e nem mesmo a mesma atitude ou reação que seriam do nosso feitio, pois somos diferentes dentro de nossas igualdades ontológicas.

Por vezes, quando damos o nosso melhor, não aceitamos como contrapartida algo que ouse não se aproximar disto, como por exemplo, o amor que ofertamos aos nossos cônjuges: se não sentimos o retorno com mesma intensidade, esperneamos. O truque é oferecer porque sentimos vontade, queremos e gostamos, tendo a ciência de que nem sempre, ou melhor, quase nunca, seremos correspondidos com igual devoção. Simples assim!

No entanto, apesar disso, podemos esperar o mínimo “recomendável” daqueles que se relacionam conosco, de alguma forma. Quando se trata de família, amigos, parceiros amorosos, não é demais esperar respeito, confiança, zelo etc. De prestadores de serviços como professores de Yôga, arquitetos, marceneiros, engenheiros, diretores de arte, corretores, vendedores das lojas que nos atendem diariamente… Não se deve esperar perfeição, como citado acima, mas o tradicional que foi estudado por eles e para o que foram preparados ou se predispuseram a fazer, em outras palavras, o que fazem todos os dias.

Porém, lhe imploro: se você conhece algum prestador de serviço do qual podemos esperar as qualidades acima e, isso se estende a todas as etapas de um bom trabalho executado: excelência, cumprimento do estabelecido em contrato (tipo do trabalho, prazo, preços), comprometimento mínimo, bom atendimento, pós-venda, mínimo de qualidade, ou seja, o básico que não farão do prestador um virtuose em sua área, mas alguém que será recomendado a posteriori, por favor, me indique! E que fique claro que isso independe de classe social, tipo do serviço prestado ou formação cultural. Há, neste ponto, uma curiosidade. Muitos daqueles que tiveram oportunidade de formação acadêmica ficam presos àquilo que aprenderam à época de seus estudos, aplicam e ensinam aquele material pelo resto de suas carreiras, quando, na maioria das profissões, tudo e todos vão se reciclando com o passar dos tempos. Arrisco dizer que é por estas e outras que quase não temos nutricionistas que entendem claramente uma opção vegetariana, salvo raríssimas exceções (vide Dr. Eric e Dr. George Guimarães que colaboram para esta revista), pois os demais engessaram o escopo do curso da faculdade na qual se formaram, por vezes, há décadas, e não atualizaram-se com as “novas” descobertas, limitando-se ao obsoleto e saudoso diploma pendurado nas já descascadas tintas das paredes das lembranças. Portanto, se você é como eu, um buscador da excelência em tudo que faz, não espere isso de todos que cruzem o seu caminho, mas exija sim, o “aceitável”, pois do contrário, não há evolução e assim, ficaremos sem uma das grandes dádivas que foi oferecida ao homem.

“Quando se tenta ir atrás de algo sublime e perfeito, lastreando nossos caminhos para que isso realmente aconteça,  costumamos não aceitar nada que não seja semelhante por parte dos demais.”

Por Fábio Euksuzian

fabio.euk@uni-yoga.org

Fábio Euksuzian é membro do Conselho Administrativo da Uni-Yôga, instrutor de SwáSthya Yôga e diretor da Unidade Vila Olímpia, filiada à Uni-Yôga.

Mais informações:

www.universoyoga.org.br  ou (11) 38455933

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Artigo de Fábio Euksuzian para a Revista Vegetarianos

Memórias a não extinção de experiências passadas

O aforismo acima corresponde a uma citação do sábio Srí Maharaj Patáñjali, provavelmente datado do século III a.C. e publicado no Yôga Sútra, opúsculo de sua autoria composto por 195 sútras, aforismos carregados de significados herméticos que, condensados em poucas palavras, tornam-se blindados aos olhos de um leigo, e por isso mesmo, se faz necessário um mínimo de bagagem metafísica para a compreensão desta ancestral linguagem cifrada.

 A sentença do título faz parte do primeiro capítulo da obra, que explica o caminho para se atingir a iluminação, no Yôga chamado de samádhi. O sútra VI descreve os cinco tipos de instabilidade, sendo um deles, o conhecimento baseado na memória. Quando li este livro pela primeira vez, há cerca de uma década, confesso que não entendi por que a memória seria um obstáculo instável à evolução do ser humano, visto que sem ela provavelmente não estaríamos aqui, afinal, em um passado remoto, nossos ancestrais aprenderam pela observação e memorizaram lições de sobrevivência, como por exemplo: fazer fogo, construir cabanas, plantar e, praticamente tudo que envolvia e envolve o desenvolvimento de uma civilização.

Vejamos as crianças: não são espelhos dos pais porque memorizam tudo o que eles fazem? Assim como os meus alunos são reflexos de mim, pois assimilam gestos, ações e atitudes do professor. Por exemplo, se nós não tivéssemos memória, como estaria eu escrevendo este artigo?

Conto aqui uma história que presenciei em um Festival Internacional de Yôga, reforçando a retórica da importância da memória: um grupo de alunos e instrutores estava encaminhando-se para alguma vivência que estava prestes a acontecer. Ao passar pelo estacionamento, vimos um passarinho aproximar-se do espelho retrovisor de um carro. Ao avistar seu próprio reflexo, achou que se tratava de outro pássaro querendo invadir seu território e a partir de então, iniciou uma guerra contra o espelho. Por vezes se chocava contra ele e em outras, bicava-o insistentemente. Obviamente se machucou e tão logo percebeu que não era outro pássaro, deu meia-volta no ar como se fosse embora, mas, em seguida, novamente se viu no espelho, repetindo todo o processo. Mestre DeRose, que acompanhou aquela pitoresca cena que não durou mais que alguns segundos, disse aos que estavam presentes: “Assim somos nós, presos dentro de nossos paradigmas”, bem, dizem por aí que passarinho possui memória de três segundos…

No entanto, a dualidade que existe em praticamente tudo também está presente na memória como ferramenta de evolução. Ela é fator gerador de outro obstáculo apontado por Pátañjali no capítulo II (trilha da prática), sútra III: o excessivo apego à vida. Em minha opinião, este apego não esconde somente o temor da morte, mas também o receio de perder as sensações de todas as experiências vividas dentro da experiência a que chamamos de vida. Por meio da memória, nos apegamos àquilo que já não existe mais, mas tão somente nas vagas brumas nostálgicas de nossas carcomidas lembranças. Será que é por isso que hoje temos o sucesso das linhas retrós em variados tipos de publicidade, relançamentos de filmes, peças de teatro que um dia foram boas, o assustador popularismo do botox e tudo o mais que nos fará tentar vivenciar algo que as primaveras levaram? Já tentou reatar um namoro anos depois, quando já não mais sentia grande coisa pelo outro, mas porque em algum dia do já amarelado tempo de sua memória, aquilo foi muito bom e lhe proporcionou prazer pelos momentos felizes vividos juntos? Pois é, é como reconstruir um vaso quebrado, nunca mais será o mesmo! Creio que seja por isso que quando envelhecemos vamos perdendo a memória, talvez seja uma forma de a natureza nos poupar o sofrimento da lembrança, uma forma de nos desapegarmos daquilo que um dia fomos e nunca mais seremos. A memória nos traga para túneis tingidos de sépia que nos conduzem a um passeio no trem das saudades, por vezes felizes, outras nem tanto, mas sempre saudades.

“Hoje joguei tanta coisa fora, cartas e fotografias, gente que foi embora…”, foi com este refrão dos velhos Paralamas na cabeça que recentemente fiz minha mudança de residência em Sampa. Ah, nossa castigada memória emocional ainda nos faz palpitar o coração. Quantas coisas temos que deixar para trás, a descansar em algum acinzentado banco de praça, até serem desintegradas lentamente pelas ventanias das novas gerações. Caetano diria que saudades até que é bom, melhor que caminhar vazio… E eu digo sempre, que devemos aprender com o passado, sem se apegar a ele, aplicar o que aprendemos nos fundos do presente e prepararmo-nos para a colheita de um futuro próspero. Mas se a memória causa este sofrimento, o que fazer? Ser um desmemoriado? Mais uma vez, temos que aprender a canalizar a situação em nosso favor, ou seja, emancipação da escravidão mental. Recentemente, estava com um grande amigo que perdera a mãe e a irmã de câncer em um ridículo intervalo de quatro anos, em um café de calçada qualquer da cidade de São Paulo, e ele, ainda meio atônito, balbuciou: a vida é um ato de heroísmo! Achei aquilo muito bonito e completei: cara, já se deu conta de que nossas vidas se resumem agora a este exato e absoluto instante? Tudo o que fomos, vivenciamos, sentimos, experimentamos, conhecemos, não fazem a mínima importância nesta fração congelada do tempo. Nossas vidas são exatamente isso que neste momento enxergamos e sentimos, eu e você; nunca houve o amanhã ou o ontem. Tudo o que chamamos de passado e projeções de futuro se assemelham a desconexos flashs de um alternativo filme B, meio sem pé nem cabeça, encontrados na mais profunda penumbra do sótão de uma casa com sete janelas. Ele consentiu com um leve movimento de cabeça.

Por intermédio da memória, ficamos presos em nossos próprios paradigmas e atrelados a um passado que por vezes temos a esquisita impressão que não aconteceu, como dizia Cazuza em sua sutil e letal poesia: parece que aquele amor que tive e senti um dia, quando o reencontro, nunca existiu. Mas nem tudo são espinhos, eis um dos lados bons da memória: aqueles que degustam covardemente um pedaço de músculo, coração ou fígado que até há instantes pulsava vida e energia haverão de se lembrar que foram cúmplices de incontáveis assassinatos ao longo do que chamaram de vida e esperarão pacientemente à sentença final dos juízes do karma absoluto, afinal, não somos somente nós que temos memória.

 

Artigo publicado no dia 18/3/2009, na página 56.

 

Por Fábio Euksuzian

fabio.euk@uni-yoga.org

 

Fábio Euksuzian é membro da Conselho Administrativo da Uni-Yôga, instrutor de Swásthya Yôga e diretor da

Unidade Vila Olímpia, filiada à Uni-Yôga.

 

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Carnaval, uma festa vegetariana

 

Artigo publicado pelas Revistas Vegetarianos e Leaders, por Fábio Euksuzian 

 

 

 

Nem todos sabem, mas todo esse samba no pé que assola nosso país nessa época do ano, crava suas controversas origens na mais remota antiguidade, em um antigo festival que celebrava as épocas de colheita às margens do Nilo; reverência ao Deus Saturno em Roma ou culto às qualidades de Dionísio na  Grécia…bem, o que se sabe é que passados alguns séculos, a festa começou a ser “organizada” pela Igreja Católica e a dar início à famosa Quaresma – quarenta dias de abstinência de carne, com objetivo de amenizar os pecados e que se encerraria somente no domingo de Páscoa. Com o passar do tempo, o festival tornou-se uma barafunda total. Para que se tenha um vislumbre da inversão de valores, o termo carnaval provém do latim carna vale, que significa ‘carne, adeus’ e a celebração em si, dentre outras coisas, serviria como uma grande e disfarçada manifestação artística contra os governos atuais; tanto é que o termo folia, maciçamente utilizado em época carnavalesca, vem do francês folie, termo que significa ‘loucura’, aludindo aos participantes da festa que fingiam-se de loucos para não serem detectados pelos guardas governamentais. Pena que toda essa simbologia faz parte do passado. Há tempos que os papéis se inverteram: carnaval hoje é sinônimo de tudo, menos de reflexão, seja ela alimentar ou social.

Atualmente a festa se faz somente pela festa, sem a mínima preocupação com alimentação ou introspecção.

A arte, neste caso, ao invés de instigar a reflexão, nos embriaga com alguns dias de alienação para que não pensemos em mais nada e retornemos à vida normal como eunucos de serpentina. Já reparou que grande parte das medidas provisórias do governo é lançada antes do carnaval? O velho “morde e assopra!”. Acredito que esta subliminar atitude seja uma dentre outras razões para que não tenhamos grandes revoluções no Brasil, pois quando pensamos em começar a pensar… Já é carnaval e tem Coringão na televisão.

Por que será que praticamente todos os feriados perderam sua função de relembrar e refletir sobre a data comemorativa em questão? Por exemplo, escrevi este artigo logo após o Natal e foi àquela coisa de sempre: feliz Natal pra cá, feliz Natal pra lá e, a cada feliz Natal escutado eu pensava com meus botões: o que será que eles estão desejando com isso? É fácil perceber o que as pessoas nos desejam quando dizem ótimo 2009…, mas no Natal esquecem-se da simbologia da celebração do renascimento, da reflexão dos caminhos etc.

Bem, culpa um pouco nossa e também da mídia de uma forma geral, pois não nos interessamos pela data em si, a não ser que não trabalharemos neste dia. Obviamente não estou dizendo para ficarmos todos em casa pesquisando sobre o assunto em questão, ou sairmos em passeata pelas

ruas, mas nos faria mal curtir os feriados com um pouco mais de consciência, refletindo sobre o que deve ser refletido?

Por que será que temos a tendência de deturpar as coisas? Arrisco escrever que, baseados em nossos princípios egoicos e em nossas próprias bagagens culturais, interpretamos tudo de acordo

com o que nos foi ensinado, da forma que fomos criados e de acordo com aquilo que achamos correto. Por exemplo, será que o que entendemos da Bíblia é realmente aquilo que Jesus quis dizer? Será que os islâmicos interpretam o Alcorão da forma que Maomé imaginou? Quem me garante que você está tendo a impressão exata daquilo que eu quis realmente dizer com este artigo? Provavelmente não. Isso acontece porque julgamos o mundo sob nossa própria ótica como amantes Narcisos diante do espelho da bruxa da Branca de Neve, ou seja, adaptamos o mundo às nossas próprias conveniências. De certa forma, isto é natural, no entanto, sem querer ou por vezes querendo, destruímos tradições ancestrais para tão somente aplacar nossas mesquinhas expectativas. Somos escravos de nossos sentidos, pois somos guiados por essas cinco portas de entrada das percepções (audição, olfato, paladar, visão e o tato) e é através delas que construímos os nossos próprios mundos.

E aí vem mais um carnaval, regado a muita carne, álcool e drogas, embotando cérebros e deteriorando estupefatos estômagos. E lá vamos nós, abstêmios em todos os sentidos, a presenciar uma festa cheia de energia, mas desregrada de essência, curtindo a unidade dentro da diversidade. Pelo menos, não teremos dificuldade em cumprir a Quarentena, não é mesmo?

 

Por Fábio Euksuzian

fabyoga@ig.com.br

Fábio Euksuzian é membro do Conselho Administrativo da Uni-Yôga, instrutor de Swásthya Yôga e diretor da Unidade Vila Olímpia, filiada à Uni-Yôga.

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11 3845 5933.

Artigo do Instrutor Fábio Euksuzian que está nas bancas, publicado pelas revistas Vegetarianos e Leaders

Ao içar as pessoas ao patamar de consciência, o Yôga incita, dentro delas, o impulso de Eros, aquela chama de vida que estava esquecida em algum ermo local dentro de seus corações.

 

 

Auto-mobilização

 

Não importa se o que podemos fazer é pouco ou de ínfima efetividade diante do infindável buraco negro no qual nossa sociedade se encontra; sempre terá sido de valentia valia, sobretudo se cada um fizer a sua parte.

 

Esta semana estive pensando em como os “autos” estão na moda; até o Yôga que ensino se chama SwáSthya, termo sânscrito que significa auto-suficiência. Ligo a televisão e encontro dezenas de programas discorrendo sobre autosustentabilidade. Leio entrevistas com esportistas e… auto-superação é o ó do borógódó; banqueiros falam em autocontrole; e eu mesmo corro atrás de auto-conhecimento. No entanto, gostaria de pedir um minuto de silêncio ou de interrupção da leitura para os 800 auto-móveis que invadem o Estado de São Paulo diariamente, nos fazendo crer que sejam um mal necessário, uma vez que não temos uma decente e segura malha de metrô que corte a cidade de cabo a rabo – como em Paris ou Nova York, as quais, diga-se de passagem, não têm o tamanho nem o contingente da megalópole paulistana. Fazendo uso dos neurônios, creio que a disseminação dos “autos” acontece por duas razões: embora a globalização tenha chegado para ficar, com toda essa parafernália tecnológica estamos cada vez mais auto-sustentáveis, presumindo que podemos viver em uma bolha de isolamento sensorial. Não obstante, em contrapartida, vejo a compreensão por parte das pessoas de que não podemos mais esperar para que as coisas sejam feitas ou modificadas. Em outras palavras, nós mesmos temos de tomar a direção dos fatos, pois, pelo visto e pela espera, ninguém fará por nós. Fernando Pessoa escreveu, certa feita: “Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo”. O que quero dizer é que não importa se o que podemos fazer é pouco ou de ínfima efetividade diante do infindável buraco negro no qual nossa sociedade se encontra: sempre terá sido de valentia valia, sobretudo se cada um fizer a sua parte.

Certa vez, uma floresta estava em chamas e a fauna toda saiu em disparada. O leão avistou um pássaro, em seu esforço sobre-animal, indo e vindo com um balde cheio d’água em seu bico. O leão chamou a atenção dos outros animais para o fato e todos gargalharam da ave. Lá de cima, ela bradou: “Pelo menos estou fazendo a minha parte!”

Microcosmos devem auxiliar o macro. Paremos de esperar auxílio de divindades ou de papai universo e mamãe natureza; das pequenas, faremos as grandes. As tentativas dos governantes parecem não ser suficientes, autênticas ou realistas. A sociedade está se mobilizando para cuidar de algo que é nosso, as leis dos homens e os recursos naturais. As mais eficientes mudanças são aquelas que partem de nosso interior, pois, além de terem sido criações nossas (e por isso mesmo), há uma grande probabilidade de terem sido necessidades que encontramos no meio do caminho. Portanto, acreditamos nelas e isso faz toda a diferença. Tudo na natureza segue seu curso irrefreadamente.

Há uma troca contínua, um círculo virtuoso, ação e reação, dar e receber, ir e vir, nascer e morrer, desenvolver-se e transformar-se… Essa percepção é de maciça importância para nossa relação com a natureza e com nossas próprias vidas. Não podemos só sugar, extrair sem devolver as possibilidades de seu renascimento; é uma via de mão dupla. Muitas vezes, parecemos aquele adolescente mimado que só quer ser sustentado e nada dá em troca. Sustente-se, meu amigo, pare de ser sustentado. Há tempos que, em minha opinião, ser elegante (em todos os sentidos) é ser consciente. Grande parte das pessoas ainda dorme o sono da ignorância, absorta em sua flácida inconsciência, não depara com tudo o que está a sua volta. Ao içar as pessoas ao patamar de consciência, o yôga incita, dentro delas, o impulso de Eros, aquela chama de vida que estava esquecida em algum ermo local dentro de seus corações. Renasce o impulso para a curiosidade e a busca pela própria essência. Inicia-se um questionamento de tudo que se encontra ao redor. Platão já dizia que “uma vida não questionada não merece ser vivida”. Ao seguir seu instinto pelo saber, sua consciência se expande em todas as direções, aumentando o grau de exigência e, quase que paradoxalmente, de tolerância com relação a tudo e a todos, pois além de reeditar a seleção em sua existência, também sente a necessidade de orientar aqueles que necessitam, pois começa a perceber que, quanto mais aprende, mais sente o quanto não sabe.

 

 Esse incremento de consciência, se estende ao ser, ao saber e até ao vestir. Entende-se que aquilo que se veste é também conseqüência de seus atos e uma extensão de quem você realmente é. Antigamente, desfilar coberto com casacos de peles de animais era considerado chique e motivo de status. Talvez por desconhecimento ou por desinteresse da grande massa em saber como aquelas peles eram obtidas. Hoje, considera-se extremamente deselegante e de calibrado mau gosto fazer uso delas. E lavar carros em frente de casa? Recordo-me que, quando criança, lavar carro aos domingos na calçada de casa era sinal de descontração prazerosa, socialização com os vizinhos, cuidado com seus pertences – para alguns, até mesmo sinal de higiene.

Atualmente, deixar a mangueira correndo solta é puro sinal de desconexão com o momento presente, é reacender aquele velho chavão de que nós, dentro de nosso egoísmo e falta de senso de perspectiva a longo prazo, não enxergamos além do próprio umbigo. É o retorno daquele tacanho pensamento de que “alguém resolverá, os outros darão um jeito…” Só que nos esquecemos de que os outros somos nós mesmos.

 

Fábio Euksuzian é instrutor de Swásthya Yôga e presidente da Associação dos Profissionais de Yôga da Vila Olímpia (SP) • vilaolimpia.sp@uni-yoga.org.br

 

100 maneiras de salvar o mundo – Sacola Sustentável

Após a citação no post – 100 maneiras de salvar o mundo: evite sacos plásticos no blog do Mestre De Rose (http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/uni-yoga_arquivo_derose/100-maneiras-de-ajudar-o-mundo-2/#comments), muita gente pediu para reenviarmos a divulgação de nossa sacola sustentável.

Abaixo reproduzimos uma nota que saiu na Revista Vegetarianos, da qual, o Instrutor Fábio Euksuzian é articulista.

Devido ao destaque no periódico, as vendas para diferentes cidades do Brasil aumentaram e estuda-se uma parceria com uma loja do Rio de Janeiro para revender as peças. Em cidades praianas a venda é maior, pois, as sacolas são utilizadas para ir à praia, além de supermercados, lojas, locadoras, cursos etc.

 

Caso haja interesse, é só enviar um e-mail para: vilaolimpia.sp@uni-yoga.org.br

 

Sacola Sustentável

 

Diretoria de Vendas da Uni-Yôga Vila Olímpia